
Chegou até mim uma lata de Ektachrome E100S, uma lata com cara de velhinha, um pouco enferrujada e aparentemente foi guardada sem muitos cuidados. Os olhos brilharam logo que peguei esse filme e fiquei esperançoso de que ele funcionaria. Esse filme é simplesmente incrível, lindo como slide, mas também era fantástico para usar no processo cruzado, que é usar um cromo e revelá-lo em C-41, processo de filmes negativos. Chega de adjetivos e vamos falar de maneira objetiva.

O cromo E100S é uma película com cores consideravelmente vibrantes com azuis e vermelhos bem marcantes e vale lembrar que é um filme positivo (slide) e a revelação E6 da Kodak só é recomendada até o vencimento do filme, pois após esse período os pretos já não ficam com a mesma densidade e tudo fica muito suave e sem contraste, nesse caso, o que muitos fazem é utilizar o processo cruzado que consiste em revelá-lo no C-41, processamento para filmes negativos.
Ao processar o filme no C-41, de positivo, a película passa a ser um negativo com cores um tanto diferentes do que estamos acostumados, os contrastes aumentam muito e as cores ficam bastante saturadas.
Ao pegar esse filme, eu já imaginava que ele não estaria com toda essa potência para as fotos, mas eu precisava testar. Rebobinei a lata para quantidade de 24 poses, não lembro quantos filmes deram. Essas latas vem normalmente com 30 metros de filme e precisam ir para um rebobinador e só então vai para o magazine.
Coloquei um filme na câmera e fui testar, fotografei com o ISO nominal, mas fiz variações de exposição, expus como se fosse ISO 100, 50, 25, 12 e até 6, quando o filmes está vencido é recomendável expô-lo um pouco a mais, dizem ser 1 ponto por década, e não devemos revelar a mais, isso porque a base do filme começa a aparecer mais e o filme vai ficando cada vez mais escuro. Expõe a mais na hora de fotografar e devemos revelar normalmente, sem aumentar o tempo. Esse filme ainda tinha outra recomendação quando estava no vencimento, que era expor um ponto a menos, ou seja se é ISO 100, deveria ser exposto como 200, mas só se estivesse próximo do vencimento.
Fui revelar o filme e para minha decepção, ficou tudo escuro e nada de imagem, absolutamente nada. Tudo bem, eu sabia que isso poderia acontecer e realmente não veio nada, que pena!

Esse teste já faz um tempo, guardei o restante dos filmes na geladeira e por lá ainda estão, porém esses dias resolvi fazer outro teste, revelá-lo com o processo preto e branco. Eu já tinha testado antes com decepção, mas queria tentar novamente, sei lá, vai que dessa vez uma luz cairia sobre o filme (isso é brincadeira), Fiz as diversas exposições = normal +1 +2 +3 +4 +5 +6 e fui revelar ainda com uma pontinha de esperança. Lembrando que ao fazer a revelação no processo preto e branco obviamente eu não teria cores no filme, mas seria uma forma de fazer esse filme funcionar de algum jeito. Revelei e, nada, tudo preto novamente.

Apesar do resultado não ser nem um pouco animador, resolvi fazer outro teste, quem sabe se eu tentar revelar de forma bem enérgica e passar pelo processo de revelação por inversão? Esse processo revela o filme exposto e logo em seguida passa por um branqueamento da prata que foi revelada, a prata que fica pode ser exposta novamente em uma luz intensa e em seguida tem um 2o revelador. Daria certo dessa vez?
Após todo esse processo, obtive o resultado, o melhor até agora, mas longe do que seria esperado, apesar que eu não deveria esperar nada de um filme nesse estado. Finalmente alguma imagem nessa película, ficou com uma cor levemente âmbar, deveria estar transparente, mas está ótimo, já consegui algo.

Após expor em ISO 25, parece que funcionou como positivo. Vou pensar mais e ver outros ajustes na revelação, alterar alguns tempos pra ver se melhora um pouco, mas no final até que gerou imagens.

Digitalizei na mesa de luz só pra ter o resultado visual e como o filme é velho, acaba ficando enrolado e torto. Logo mais faço a digitalização mais adequada, mas até que dá pra ter uma boa noção após tirar a saturação e ajustar os níveis de imagem. Depois de tantos testes, gostei =).

Após fotografar o Ektacrome em ISO 25, 2 pontos mais luz do que o ISO nominal (100) a revelação foi a seguinte: 7 minutos em D-72 com temperatura de 28 graus centígrados, era a temperatura do revelador naquele momento e resolvi testar desse jeito. Fiz o processo de clareamento e reexposição para revelá-lo novamente por 4 minutos. Parece que funcionou, mas creio que farei novos testes com outras variações.




O teste trouxe imagens em um filme que eu já não tinha mais esperança, funcionou.
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